Anestesia em obstetrícia

Texto do Livro Gravidez Saudável – Guia Prático da Gestação ao Bebê

 

Uma aliada nas horas difíceis

A grande maioria das futuras mamães tem consigo uma dúvida que, muitas
vezes, leva a um grande medo: a anestesia... a dor do parto...

Você tem agora a chance de tirar suas principais dúvidas, ler a respeito e
ainda aprender um pouco mais sobre esse vasto assunto, para que na hora do parto, seja ele qual for, possa participar, se possível, até do tipo de anestesia que será indicado no seu caso.

Hoje em dia existem muitas técnicas eficientes e modernas, assim como vários
anestesiologistas que vêm se dedicando à área obstétrica, dada a necessidade de atualização constante que a especialidade médica necessita. Há grupos de anestesistas especializados nas maternidades, bem como hospitais de grande complexidade capacitados a atendê-la.

Os anestesiologistas que freqüentam um centro obstétrico têm, na grande parte
das vezes, um conhecimento sobre todo o processo gestacional, desde o funcionamento e a sensibilização da mãe, até as ardentes expectativas de seus familiares.

A anestesia e o anestesiologista são acessíveis e seu grande aliado para enfrentar o tão esperado dia do parto sem medo.

Conheça os tipos de anestesia, bem como suas principais indicações, técnicas, conseqüências e possíveis complicações que em muitos casos, poderão ser evitadas em uma consulta prévia com seu anestesista, que irá avaliá-la e tranqüilizá-la.

 

Tipos de anestesia

Os principais tipos de anestesia mais utilizados atualmente são:

1. Anestesia local

2. Raquianestesia

3. Peridural

4. Anestesia ou bloqueio combinado

5. Anestesia geral

 

Anestesia local

A anestesia local é realizada pelo próprio obstetra. Pode ser utilizada para partos
normais e quando for necessário fazer a episiotomia, cortando a sua região perineal para auxiliar na saída do bebê, com posterior fechamento por pontos. As complicações são incomuns e, quando ocorrem muitas vezes são corrigidas a tempo

 

Raquianestesia

A raquianestesia é, sem dúvida, uma das anestesias mais realizadas na atualidade.

Nos anos de 1980 e início de 1990, perdeu espaço para a anestesia peridural, mas tem retomado seu lugar por ser, em geral, de fácil execução.

As pessoas possuem um medo, que diríamos até natural, sobre a raquianestesia,
causado principalmente pela falta de conhecimento sobre o assunto e por complicações no passado. Este tópico, além de explicativo, tem a “missão” de acalmá-la e desfazer as crenças nas quais esse tipo de anestesia foi inserido.

Uma das maiores dúvidas que as pessoas têm, e não menos as futuras mamães,
relacionam-se, principalmente, às conseqüências maternas e fetais que tal procedimento anestésico pode causar. O simples fato de levar uma picada de agulha já é motivo de assombro para muitas pessoas, ainda mais por ser “na coluna”… Não se preocupe, vamos tentar esclarecer essas questões. Para tanto, se faz necessário, primeiro, mostrar o porquê dessa anestesia ser aplicada nas costas, em qual região age e que existem locais apropriados para sua aplicação, quase sempre isentos de lesões neurológicas.

Veja, a seguir, a anatomia da coluna bem como as posições em que ocorrem os determinados tipos de anestesia que serão discutidos neste capítulo.

Outra dúvida que pode pairar sobre você é o porquê do tamanho e da espessura das agulhas. As agulhas usadas para anestesia atualmente são descartáveis e muito mais finas que as usadas na antigüidade. Essas novas tecnologias são as grandes responsáveis pela diminuição acentuada do número de casos de cefaléia pós-punção (dor de cabeça limitante causada pela punção da raquianestesia) e pelo reaparecimento da raquianestesia para a gestante. O tamanho da agulha se deve, principalmente, à necessidade de padronização da produção, visto que as pessoas são distintas e apresentam diferentes tamanhos, como, por exemplo, as pessoas com sobrepeso, que têm uma maior camada de gordura no local da punção.

A raquianestesia tem sido utilizada mais freqüentemente para a realização de cesariana e em situações em que é necessário usar-se o fórcipe, ou até mesmo para partos normais no seu final (período expulsivo), permitindo a realização da episiotomia e a expulsão do bebê sem sentir dor. Varia em cada caso os tipos e as quantidades dos anestésicos empregados. Existem alguns anestésicos que podem ser utilizados, associados ou não com outros analgésicos.

Uma das combinações mais comuns se dá com a morfina, um analgésico potente que é usado em doses pequenas na raquianestesia, para promover um aumento do efeito analgésico (ausência de dor) por um período mais prolongado de até 24 horas. A associação com morfina pode levar a algumas conseqüências para você, como prurido (coceira pelo corpo) e retenção urinária. Para o bebê, as baixas dosagens não causam conseqüências relevantes e seus efeitos são praticamente inexistentes.

 

Anestesia peridural e anestesia peridural contínua

A anestesia peridural tem suas particularidades por apresentar um tipo de técnica e materiais diferentes dos utilizados na raquianestesia. O local da punção normalmente é o mesmo, o que torna o decorrer do procedimento semelhante ao anterior, porém a agulha utilizada é mais grossa do que a da raquianestesia, necessitando sempre antes de anestesia local na sua pele.

O termo peridural se refere ao local em que se dá a injeção do anestésico. O espaço peridural está localizado após o ligamento amarelo (tecido fibroso que fixa os corpos vertebrais) e imediatamente antes da dura-máter (membrana que envolve e protege a medula), o que faz desse pequeno lugar um espaço praticamente virtual.

A anestesia peridural contínua é assim chamada, pois, no espaço peridural, é introduzido um cateter (conduto plástico), o que permite a injeção contínua de pequenas doses dos medicamentos, em vez da injeção em dose única, com a vantagem de menos efeitos colaterais para você e o bebê, podendo você permanecer anestesiada por muito mais tempo, o que será útil nos casos em que o parto vai demorar ou quando ainda não se tem certeza se o parto será normal. Esse tipo de anestesia pode ser usado na fase inicial do trabalho de parto para alívio da dor (analgesia), ajudando-a, assim, a suportá-la.

A anestesia peridural como anestesia única vem perdendo seu espaço em decorrência da maior dificuldade técnica e tempo para sua execução em relação à raquianestesia. Ultimamente, com o surgimento de novos anestésicos, esse tipo de anestesia tem sido resgatado por alguns anestesiologistas por apresentar maior estabilidade e segurança, sendo indicado também para certos procedimentos e em determinadas doenças.

Fotos livro Gravidez Saudável

                Passagem de cateter peridural.

 

     Foto de uma agulha com cateter de peridural.

 

Bloqueio combinado ou anestesia combinada

Atualmente alguns serviços vêm utilizando, de forma quase rotineira, este tipo de anestesia que foi o maior avanço na assistência obstétrica, contribuindo enormemente para o sucesso e a satisfação do parto normal. Nas gestantes em que a dor é limitante para a evolução do trabalho de parto ou quando se necessita de um relaxamento melhor para a descida do feto, após discussão com a equipe médica, poderá ser indicada a analgesia de parto.

Esta modalidade anestésica é realizada combinando-se a raquianestesia com a peridural contínua, técnica nova essa que permite um tempo prolongado de analgesia e com menos complicações, visto as baixas doses das drogas utilizadas. Esse procedimento pode ser realizado já em fases mais iniciais do trabalho de parto, quando a sua indicação não irá interromper a evolução do parto, pois não interfere na sua atividade motora, agindo apenas no sistema sensitivo condutor do estímulo doloroso, permitindo que você se movimente livremente e até ande, o que determina assim uma analgesia muito satisfatória e eficaz.

Vale lembrar que essa analgesia não elimina totalmente a sua dor ou a isenta de ter contrações, porque senão atrapalharia o andamento do parto, caso este estivesse evoluindo por via vaginal. Para este fim, teria de ser feita a anestesia de parto, normalmente usada para partos cirúrgicos. Você deverá continuar tendo as contrações, mas agora plenamente suportáveis.

Continue então colaborando e não se esqueça de fazer muita força quando lhe for solicitado, participando e auxiliando no nascimento do seu bebê da maneira mais rápida e nas melhores condições possíveis para poder descansar recompensada logo após.

Nas gestantes que apresentam determinadas doenças, é indicada também a técnica combinada, mas esses procedimentos devem ser discutidos entre a equipe médica para a melhor condução de cada caso. É importante lembrar que as grávidas que apresentam qualquer doença prévia ou adquirida durante a gestação devem procurar com antecedência o anestesiologista ou a maternidade, para que possam ser avaliadas as várias possibilidades para seu caso.

Converse com seu médico a respeito antes.

 

Anestesia geral

A anestesia geral é uma técnica anestésica que não apresenta contra-indicações.

Claro que para uma gestante saudável não é a melhor indicação, pois as repercussões fetais limitam esse procedimento.

 Nos casos em que essa anestesia está indicada, faz-se necessário, obrigatoriamente, a presença de um pediatra neonatologista, previamente preparado com medicações que revertam o efeito das drogas utilizadas, além de suporte adequado para o recém-nascido.

A técnica utiliza a injeção endovenosa de medicamentos, garantindo, assim, que fique desacordada e não sinta o procedimento logo que as medicações são injetadas. Para tanto, você deverá ser devidamente monitorizada, o que torna o procedimento mais seguro.

Há algumas doenças e alterações que indicam a anestesia geral, como, por exemplo, na presença de graves distúrbios da coagulação sangüínea, patologias cardiovasculares com possibilidade de descompensação no ato operatório, descolamento prematuro de placenta, entre outras.